Textos sobre violência

A partir da crônica “Retiro da Figueira” de Moacyr Scliar, discutimos, em nossas aulas de Língua Portuguesa, que a violência das grandes cidades tem feitos com que as pessoas, movidas pelo medo, se tornam prisioneiras em suas próprias casas. Esse assunto tem sido alvo de grandes discussões. Vamos ler a letra da uma música “Muros de grades”, da banda Engenheiros do Hawai e a crônica “Segurança” de Luís Fernando Veríssimos. Esses textos retratam essa realidade brasileira e podem ser relacionados ao texto “Retiro da Figueira”.

TEXTO I

MUROS E GRADES

 

Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras, entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez

 

Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo pra descobrir
Que não é por aí… não é por nada não
Não, não pode ser… é claro que não é, será? 

Meninos de rua, delírios de ruínas
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear

 

(solidez)

Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder.

(Engenheiros do Hawai)

 

TEXTO II

Segurança 

O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.
Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados. Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas. Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.
Mas os assaltos continuaram. Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar. Mas os assaltos continuaram. Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas. Mas os assaltos continuaram. Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas.
Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno. Mas os assaltos continuaram.
Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. E ninguém pode sair.
Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. Mas surgiu outro problema. As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.  A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

(Luís Fernando Veríssimo. Comédias para ler na escola.)

 Faça, por escrito, uma  comparação, no que diz respeito às semelhanças entre esses dois textos e o “Retiro da Figueira”, texto lido por vocês em nossa aula. Em seguida, proponha uma reflexão sobre essa situação problema da sociedade brasileira.

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7 Respostas

  1. Oi Carla, bom a semelhança é óbvia, os textos, criticam a sociedade de hoje, a situação atual dos lugares…Os assaltos são cada vez mais frequentes, as pessoas tentam se esconder o máximo que podem, e acabam perdendo suas vidas porque vivem presas e com medo. Como um pacote a violência vem junto com os assaltos quer eles a mão armada, ou não, uma decisão drástica precisa ser tomada com urgencia, antes que as pessoas virem ratos de laboratório, que vivem presos, e vivendo esperiências nada agradáveis.

    • Os textos falam sobre a segurança,a sociedade que nos tentamos nos protejer o maximo possivel e acabamos ficando presos em vez dos ladroes e as vezes quando tentamos nos proteger demais é pior do que nao se proteger como la no retiro da figueira em que eles sairam do seu bairro que era calmo so porque teve alguns asaltos e foram para um condominio praticamente perfeito e la que tinha os ladroes de verdade

  2. Os textos criticam a violência que hoje em dia tem sido um ponto alto. No texto “Retiro da Figueira” mostra que em qualquer lugar pode existir a violência e que nenhum lugar é perfeito, os moradores de um bairro se mudaram de lá, pois estava havendo muitos assaltos e foram para o condomínio Retiro da Figueira, que segundo o prospecto parecera ser perfeito para morar, segurança ótima e lazer melhor ainda, até o dia em que a sirene do condomínio tocou e todos ficaram assustados, este condomínio não era tão perfeito assim. A música da banda Engenheiros do Hawai demonstra como a população de hoje está vivendo presa, escondida, por causa da violência e o texto “Segurança” mostra assim como o “Retiro da Figueira” um condomínio com até então, total segurança, mas ao contrário da crônica do Moacyr Scliar, a crônica do Luís Fernando Veríssimo mostra que o condomínio fez de tudo para ter a segurança de seus moradores e não acaba com seus seguranças fugindo com o resgate dos moradores.

  3. Meus queridos!! Muito bem!! Vocês conseguiram compreender sobre a grande temática dos textos! bjos e até mais!!

  4. Um dos textos está relatando a violência dentro das cidades , o outro relata a segurança nos condomínios a semelhança entre os dois é que eles mostram a violência que existe. As pessoas cada vez mais se trancam e procuram lugares seguros , como no retiro da figueira e que muitas vezes pode ser mais perigoso do que imaginmos .

  5. O texto “Retiro da Figueira”,nos mostra que não adianta você mudar para um lugar melhor pois sempre poderá existir o ato da violência.
    Na música “Muros e Grades” da banda Os Engenheiros do Hawai,mostra que nós estamos sempre vivendo com medo,”presos” na nossa própria vida e com muita insegurança.
    No texto segurança,Luíz Fernando Veríssimo,nos mostra que também em um lugar com tanta segurança e privacidade,muitas vezes também pode “cair nas mãos” da violência.
    Cada dia mais temos que nos proteger pois a
    violência está aumentando cada dia que passa e esses textos,nos fazem refletir como é nossa vida com a violência.

  6. ese texto e otimo escrevi ele no meu trabalho eu tirei 10!!♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ ta de parabens! quem escrevel ele

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