Interpretação de textos narrativos no Vestibular.

Tendo em vista nossos estudos sobre a Narração, seguem algumas questões baseadas em textos narrativos. Os textos narrativos aparecem com muita frequência nas provas dos vestibulares para serem interpretados.

Observe s questões retiradas da prova da Fuvest e da UEL.
Leia-os com atenção e resolva as questões. Em seguida, discutiremos as respostas.  

Boa leitura e boa interpretação!
Professora Carla. 

(Fuvest) Texto para as próximas questões

 História estranha 

Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e…

O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.

O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental!

(Luis Fernando Verissimo, Comédias para se ler na escola)

1) A estranheza dessa história deve-se, basicamente, ao fato de que nela: 

a) há superposição de espaços sem que haja superposição de tempos.
b) a memória afetiva faz um quarentão se lembrar de uma cena da infância.
c) a narrativa é conduzida por vários narradores.
d) o tempo é representado como irreversível.
e) tempos distintos convergem e tornam-se simultâneos.

2) O discurso indireto livre é empregado na seguinte passagem:

 a) Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo.
b) Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena.
c) Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade.
d) O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente.
e) O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta.

  • As próximas questões foram retiradas na prova da Universidade Estadual de Londrina do ano de 2005.

As próximas questões referem-se ao texto a seguir, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)

1) Nessa passagem, quem fala é Quincas Borba, o filósofo. Suas palavras são dirigidas a Rubião, ex-professor, futuro capitalista, mas, no momento, apenas enfermeiro de Quincas Borba. É correto afirmar que a maneira como constrói esse discurso revela preocupação com:

a) A clareza e a objetividade, uma vez que visa à compreensão de Rubião da filosofia por ele criada, o Humanitismo.
b) A emotividade de suas palavras, dado objetivar despertar em Rubião piedade pelos vencidos e ódio pelos vencedores.
c) A informação a ser transmitida, pois Rubião, sendo seu herdeiro universal, deverá aperfeiçoar o Humanitismo.
d) O envolvimento de Rubião com a filosofia por ele criada, o Humanitismo, dada a urgência em arregimentar novos adeptos.
e) O estabelecimento de contato com Rubião, uma vez que o mesmo possui carisma para perpetuar as novas idéias.

2. (UEL) Com base nas palavras de Quincas Borba, considere as afirmativas a seguir:

I. As duas tribos existem separadamente uma da outra.
II. A necessidade de alimentação determina os termos do relacionamento entre as duas tribos.
III. O relacionamento entre as duas tribos pode ser amistoso (“dividem entre si as batatas”) ou competitivo (“uma das tribos extermina a outra”).
IV. O campo de batatas determina a vitória ou a derrota de cada uma das tribos.
Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

3. (UEL/2005) O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é revelador:

a) Do posicionamento crítico de Machado de Assis aos muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
b) Da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos” surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo, dadaísmo.
c) Da capacidade de Machado de Assis em antever os muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
d) Da preocupação didática de Machado de Assis com a transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na época.
e) Da competência de Machado de Assis em antecipar a estética surrealista surgida no século XX.

DICAS DE VESTIBULAR! FIQUE DE OLHO NAS VARIEDADES LINGUÍSTICAS!

Um dos assuntos mais recorrentes nas provas dos grandes vestibulares é o dos diferentes modos de utilizar a língua, na modalidade falada e escrita. A esse tópico, denomina-se Variedades Linguísticas. Por isso, quem está se preparando para as provas dos grandes vestibulares e, sobretudo para o ENEM, é importante lembrar os principais assuntos acerca desse tema:

·      Variedades Linguísticas.
Variedade linguística demostra como uma língua é sensível a fatores como região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do contexto. Assim, é impossível todos usarem a língua da mesma forma, já que cada um apresenta uma característica social específica.

 ·      Língua Culta e Língua Coloquial.

     A língua culta ou formal é usualmente falada e escrita em situações mais formais pelas pessoas de maior instrução e de maior escolaridade. Os documentos oficiais (leis, sentenças judiciais, etc.), os livros e relatórios científicos, os contratos, as cartas comerciais, os discursos políticos etc. são exemplos de textos escritos nessa variedade linguística.

     A língua coloquial ou informal, por sua vez, é uma variante mais espontânea, utilizada nas relações informais entre os falantes. É a língua do cotidiano, sem preocupações com as regras rígidas da gramática normativa. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de expressões populares, frases feitas, gírias, etc.

 

·      Adequação e inadequação linguística.

     Mais do que saber as regras da impostas pela Gramática Normativa, um bom falante da língua é aquele que sabe adequar o modo de utilizar a linguagem a determinados contextos de comunicação. Como exemplo, pode-se citar um falante que utiliza uma linguagem formal em um bilhete para seu amigo de escola, uma pessoa com quem ele tem intimidade. Sendo assim, esse falante não soube adequar o tipo de linguagem a este contexto.

 

Ø Fatores que influenciam na inadequação:

 

·      O interlocutor: Não se fala do mesmo modo com um adulto e com uma criança

·      O Assunto: Falar sobre a morte de uma pessoa amiga requer uma linguagem diferente da usada para lamentar a derrota do time de futebol.

·      O ambiente: Não se fala do mesmo jeito em um templo religioso e em um festa com os amigos.

·      A relação falante-ouvinte: Não se fala da mesma maneira com um amigo e com um estranho.

·      A intenção: Para se fazer um elogio ou um agradecimento, fala-se de um jeito; para ofender, chocar, provocar ou ironizar alguém.

Agora, observe as duas questões retiradas da prova modelo do Enem, disponível pelo MEC, e da prova da Unicamp de Língua Portuguesa (2009). As perguntas seguem com os gabaritos:

Prova Modelo do Enem (2009)

Observe a tirinha abaixo:

tirinhas

O personagem Chico Bento pode ser considerado um típico habitante da zona rural, comumente chamado de “roceiro” ou “caipira”. Considerando a sua fala, essa tipicidade é confirmada primordialmente pela:

 a) transcrição da fala característica de áreas rurais.

b) redução do nome “José” para “Zé”, comum nas comunidades rurais.

c) emprego de elementos que caracterizam sua linguagem como coloquial.

d) escolha de palavras ligadas ao meio rural, incomuns nos meios urbanos.
e) utilização da palavra “coisa”, pouco frequente nas zonas mais urbanizadas.

 

 Nessa questão, o Enem pretendia testar a habilidade 25, cujo objetivo é: Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
(UNICAMP-2009) É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural brasileiro.

tirinhssssas

a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das personagens na tira.

b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique.

 Gabarito:

 Prova Modelo Enem: A

 Questão Unicamp 2009:

 a) Resposta Esperada pela Banca: O recurso utilizado é a transgressão da ortografia ou, dito de outra forma, o uso da grafia como transcrição da fala; ou seja, a tira apresenta uma forma de escrita que tenta reproduzir a fala das personagens.

Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: troca da consoante l por r (como em prantando); supressão da vogal na proparoxítona (como em árv[o]re), processo muito comum na fala; e troca da vogal e por i (como em di e isperança).

 b) Resposta Esperada pela Banca: NÃO. Os fenômenos representados na tira encontram-se também em regiões urbanas e não refletem, necessariamente, escolaridade ou classe social do falante. Por exemplo, a troca da consoante l por r é um processo bastante recorrente nas regiões urbanas. A supressão da vogal em palavras proparoxítonas (xícara, abóbora, etc.) faz parte de um processo fonológico amplamente presente no português brasileiro de forma geral. Finalmente, a elevação da vogal átona (e i) é uma marca de diferenciação regional e não de oposição rural/urbano. Não se cobrará o uso de metalinguagem na referência aos fenômenos aqui mencionados.

  Por isso, é importante estudar muito esse assunto e, sobretudo, saber adequar a língua aos contextos de comunicação.

 

Bons Estudos!

Palíndromos

ocê sabe o que são palíndromos? São palavras ou frases que podem ser lidas tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda. Exemplo: OVO.

Leia os palíndromos abaixo e divirta-se:

1. MIRIM
2. AME A EMA
3. A GRAMA É AMARGA
4. A MALA NADA NA LAMA
5. A CERA CAUSA A SUA CARECA
6. ANOTARAM A DATA DA MARATONA
7. ATÉ O PODER DO POVO É OVO PODRE DO POETA

Agora um desafio: tente descobrir o palíndromo a seguir. Como estão faltando algumas letras, você deve prestar bastante atenção!!!

 

S__C__ __RA__-__E, SU__ __ NO __ __IBU__ E__ M__R__O__OS

 

Quem adivinhar primeiro, ganha um bombom!!

Com carinho,

Professora Maura.

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