Exercícios sobre funções da linguagem e variedade linguística

Queridos alunos, os exercícios relacionam-se às questões sobre funções da linguagem e variedade linguística. Leia os textos com atenção, para realizar os exercícios.

1) Leia os textos abaixo e identifique qual figura de linguagem predomina em cada um deles, justificando sua resposta.

Texto I

“Hoje você é uma uva. Mas, cuidado, uva passa.”
(Cláudia, ago. 1996)

Texto II

Vexames

Muita gente não sabe usar um celular. Veja o que você não deve fazer com ele.

* Não ande como celularpendurado na calça. Fica feio. Guarde-o na mochila. Dá para escutá-lo do mesmo jeito.
* Desligueo celulardurante as aulas – ou em lugares públicos, como o cinema. Depois você acessa a caixa postal e pega a mensagem.
* Nunca telefone durante a aula. Não adianta se abaixar, nem cobriro celular como cabelo. As pessoas vão perceber que você está no telefone.
* Quando estiver com apenas uma amiga, não fique horas falando no celular.
* Não fique oferecendo o seu telefone só para ser simpática. Lembre-se da conta que vai chegar.

Capricho, 21 nov. 1999.

Texto III

“(…) Julieta do céu! Ouve… a calhandra Já rumoreja o canto da matina, Tu dizes que eu menti?… pois foi mentira… … Quem cantou foi teu hálito, divina!”

(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, p. 122.)

 

Texto IV

“Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras coisas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel: o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia-me isso e queira-me bem: perdoe-me o que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um documento humano e ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus, peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais.”

(Assis, Machado de. O enfermeiro)

Texto V

“eu fico louco

eu fico fora de si

eu fica assim

eu fica fora de mim

eu fico um pouco

depois eu saio daqui

eu vai embora

eu fico fora de si

eu fico oco

eu fica bem assim

eu fico sem ninguém em mim”

(Arnaldo Antunes) 

2) Leia o texto abaixo e responda às questões a seguir.

Cuitelinho

Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai

Ai quando eu vim
da minha terra
Despedi da parentália
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia,ai, ai

A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água

(Renato Teixeira) 

a) Que explicação poderia ser dada para o fato de o texto apresentar uma linguagem que não segue os padrões da norma culta? 

b) A linguagem do texto prejudica ou favorece sua expressividade poética? Justifique. 

3) Apresentamos a seguir, alguns depoimentos de “meninas de rua” da cidade de Goiânia, extraídos do livro Meninas de Rua: uma vidaem movimento (Grácia M. Fenelon et alii). Nestes depoimentos predomina um nível coloquial da fala. Compete a você transcrever estes textos usando um nível de fala que esteja de acordo com a língua-padrão:

a) A Marta tem que ir pra casa da mãe dela, pra podê oiá a mãe dela, porque a mãe dela só vive doente. Marina tem que ir pra Brasília atráis da mãe dela. Rosinha, a mãe dela morreu. Ela devi ficar em casa cuidando dos irmãos dela. Eliane barriguda, vai pra sua casa tratá do seu filho quando nascer. Têje muito cuidado com ele.

b) Óia aqui. Então nóis vai sábado. Nóis não vai segunda-feira não. Por causa queo João Grandão falou que vai arrumá dinheiro pra nóis podê i sábado.

c) Roberto, eu te amo. Não te esqueço. Queria que ocê sempre gostasse de mim, dá valor ni mim, queu dava valor nocê. Porque você vai na cabeça de todo mundo, depois cê acha ruim deu falá alguma coisa procê. Depois cê fica agarrando a Neusa, a Neusa te agarrando por causa de esmalte, só procê tomá raiva de mim.

4-(Vunesp)  Leia os três textos abaixo que abordam a questões sobre a linguagem coloquial.

Manuel Bandeira escreve:

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Por que ele é que fala gostoso o português do Brasil.
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada.
(Evocação do Recife, in Libertinagem. Poesia Completa e Prosa.)

Haroldo de Campos escreve:

Defesa da inventividade popular (‘o povo é o inventa-línguas’, Maiakósvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de ‘boa consciência’, ideologicamente retificada, dirigida.

E acrescenta:

Mas o povo cria, mas o povo engenha, mas o povo cavila. O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O VISGO do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol… O povo é o melhor artífice.

(Circuladô de Fulô, in Isto não é um livro de viagem. 16 fragmentos de “Galáxias”.)

a) Nos textos abaixo, cite pelo menos um trecho de cada autor em que criticam e denunciam nosso preconceito e desapreço às formas populares de expressão.

b) Cite um trecho de Manuel Bandeira que focaliza a aspecto de oralidade na comunicação, tão característico da literatura popular. 

5) O texto a seguir é parte da letra de uma música que fez sucesso. Leia-o e responda aos itens a e b.

Samba do Arnesto 

O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Nóis não semos tatu!
O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Outro dia encontremo com o Arnesto
Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
Mais você devia ter ponhado um recado na porta
Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
A vez que isso num tem importância, num faz má
Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
Assinado em cruz porque não sei escrever Arnesto”
Cais, cais, cais, cais, cais, cais, cais…

(Demônios da Garoa) 

a) Identifique as palavras e expressões do texto que se apresentam em desacordo com o padrão culto da língua portuguesa. 

b) Qual teria sido a intenção dos autores ao utilizar palavras e expressões que se desviam das formas propostas pela língua portuguesa culta?

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Uma resposta

  1. SERIA ÓTIMO SE COLOCASSE A RESPOSTA

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